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Aveiro

 

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        Geografia

        O concelho abrange uma área de 208 km2 onde se distribuem 14 freguesias: Aradas, Cacia, Eirol, Eixo, Esgueira, Glória, Nariz, Oliveirinha, Requeixo, São Bernardo, São Jacinto, Vera Cruz, Santa Joana, Nossa Senhora de Fátima.

        O distrito de Aveiro está situado na província tradicional da Beira Litoral, sendo limitado a norte pelo do Porto, a sul pelo de Coimbra, a leste pelo de Viseu e a oeste pelo Oceano Atlântico.

        A orografia do distrito de Aveiro é formada pela cordilheira que separa as bacias hidrográficas do Vouga e do Douro, passando entre os rios Paiva e Vouga. Das suas serras devem notar-se as de Moldes e S. Pedro Velho, esta com 1080 m de altitude.

       O distrito compreende 19 concelhos: Águeda, Albergaria- a- Velha, Anadia, Arouca, Aveiro, Castelo de Paiva, Espinho, Estarreja, Feira, Ilhavo, Mealhada, Murtosa, Ovar, Oliveira de Azemeis, Oliveira do Bairro, São João da Madeira, Sever do Vouga, Vagos e Vale de Cambra.

               Tradições

      Um elemento característico do distrito, ligado ao mar e à laguna é o barco. Existem vários tipos. Um deles é o barco do mar, ainda usado em alguns concelhos, com quatro faixas pintadas, cruzes e imagens na proa e o respectivo nome. Outros barcos característicos desta região são o moliceiro, o mercantel, as bateiras murtoseiras e as bateiras erveiras.

          Esta é a região das típicas habitações de madeira com listas coloridas (Costa Nova).

         No distrito é possível encontrar vários trajes típicos conforme os diferentes concelhos. Em Ovar salienta-se o traje da "mulher do chapeirão" com saia de lã preta, blusa de fazenda de lã com entremeios e peitilho pregueado, de preferência branca. Sobre os ombros cai um lenço branco de cambraia ou de seda natural. Na cabeça usa um chapeirão de grandes abas, com cordão. Veste capotão de fazenda grossa preta com uma guarnição larga de veludo lavrado da mesma cor e com um laço nas costas. Calça chinelas pretas de verniz e meias brancas rendadas. O homem usa fato preto com colete, camisa branca de linho com peitilho pregueado de cambraia e abotoadura de ouro. Usa um chapéu alto e calça botas pretas de polimento.

         O forte do artesanato de Aveiro é a cerâmica. Encontram-se outros produtos provenientes da latoaria, ferro forjado, trabalhos em madeira, trapos, rendas, bordados, cestaria, cangas pintadas e miniaturas de barcos de Estarreja, esteiras de buinho, mantas, tapetes e barcos da Murtosa.

          O feriado municipal de Aveiro é no dia 12 de Maio.

          No que respeita às festas destacam-se o Cortejo de Entrega dos Ramos, a Festa de São Gonçalinho que se realiza em Janeiro na Capela de S. Gonçalinho, cumprindo-se a tradição de se atirarem grandes quantidades de cavacas doces da cúpula da Capela para a população.

            A Festa da Ria ocorre em Julho ou Agosto conforme as marés. Algumas das suas atracções são a regata dos moliceiros, concurso de painéis destes mesmos barcos e corridas de várias embarcações tradicionais.

           As festas do município tem lugar no mês de Maio, tendo como realização mais simbólica a Procissão da Padroeira Santa Joana Princesa.

                 Gastronomia

       Aparecem muitos pratos ligados à pesca: enguias de caldeirada e de escabeche, caldeirada de enguias à moda de Aveiro ou da Murtosa, barricas de enguias, caldeiradas de pelinga ou de vários peixes, receitas de lampreia, sardinhas assadas na telha, arroz de polvo, mexilhão à moda de Aveiro, espetadas de mexilhão, várias espetadas de peixe, raia com molho de bacalhau, línguas de bacalhau, bacalhau à vareira e bacalhau assado com broa.

            Nas carnes: leitão assado, caldeirada ou cabidela de leitão, carneiro à lampantana, bifes à vareira, sarrabulho à moda da Bairrada, nacão de porco e papas de S. Miguel, em Oliveira de Azeméis, chanfana e batatas a murro.

           Os doces de Aveiro são muito conhecidos, é o caso das barricas de ovos moles, dos ovos em fio, das raivas, das lampreias de ovos, das castanhas de ovos e dos bolos de vinte e quatro horas. Em Oliveira de Azemeis destacam-se alguns doces como os zacamóis e queijadinhas de cenoura, em Arouca as morcelas de Santa Mafalda e as barrigas de freira. Existem ainda outros produtos como os bolos de Ançã, os "turcos", o pão-de-ló de Ílhavo e de Ovar, os queijos, o vinho verde da Bairrada e os vinhos espumantes.

           Lenda

        Lenda de Santa Joana Princesa

             A princesa D. Joana, filha do rei Afonso V, revelou desde muito tenra idade uma grande vocação religiosa. Esta filha primogénita, apesar de ser obrigada a viver na Corte pela sua posição, afastava-se o mais possível de festas e convívios e passava grande parte do seu tempo a rezar e a meditar. A princesa era, dizia-se, muito bela e teve muitos pretendentes, entre estes muitas cabeças coroadas, mas a todos recusou alegando a sua intenção de se tornar freira. Com a autorização real, entrou D. Joana para Odivelas, mudando-se mais tarde para o Convento de Santa Clara de Coimbra mas acabando por resolver professar no Convento de Jesus, em Aveiro. Esta última decisão foi contestada tanto pelo rei como pelo povo, dado que o Convento de Jesus era muito pobre e, na opinião geral, indigno de uma princesa. Por outro lado, o povo discordava da vocação da princesa e não queriam ela professasse. Perante tanta discórdia D. Joana decidiu não professar, mas declarou que usaria o véu de noviça para sempre e insistiu em ingressar no Convento de Jesus, vivendo na humildade e na pobreza e aplicando as rendas que possuía no socorro dos pobres. A sua caridade era tão grande que depressa ficou conhecida como santa. Mas a bela princesa adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem. Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana Princesa, levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a beatificação a esta infanta de Portugal.